20 de Mar de 2009
"...a verdade sendo tão crua e tão penosa chega a ser mentira para quem nao a quer ouvir..."
7 de Dez de 2008
Ilha, Mar, Mistério...
De tudo o que eu percebo pouco se vê. De cheiros e cores enchem-se os meus olhos e nada mais me cabe. São sentimentos passageiros de almas que ondulam ao ritmo de marés inconstantes. Tento cheirar o mar e a brisa salgada, mas nada me parece parecido quanto mais igual. São dias que demoram a passar, são amores que choram para se reencontrar. Tenho os pés gelados e ninguém para os aquecer. Tenho as mãos geladas e nem o calor das luvas resolve os meus problemas. No fundo do quarto vejo a mala posta, vejo a televisão que me acompanha nesta luta diária. A saudade consome o espírito, mas não mata o amor. Fortalece-o. Quero voltar a sentir o teu cheiro e o teu toque. Tenho saudades da tua voz junto ao meu ouvido. Quero os passeios no verde e no monte. O mar que me acalma e regressa dentro de mim. Quero-te, desejo-te, amo-te…
10 de Nov de 2008

Seria tão fácil ter sempre 20 anos. Manter a juventude e a energia. Seria fácil mas não interessante.
Olho para a recordação do meu avô e nele vejo a sabedoria da Vida. No seu rosto ainda tento decifrar todas as suas vivências. Não consigo. Até me causam alguma tristeza as suas rugas. Mas, ele nunca se importou. A isso se chama “saber envelhecer”.
Hoje em dia, a maior parte das pessoas vive para a aparência. Materialistas e cada vez mais “inaturais”. Enfeitam as suas caras como se representassem a actuação mais própria de um circo. Vivem para o Outro e não para si. Porquê as botas de salto alto quando todos nós sabemos que umas simples pantufas são o calçado mais confortável? A sociedade vive de padrões. É o tal sistema que todos oiçam falar, mas que quase ninguém sabe o seu significado.
Ás vezes, vou divagando por Ponta Delgada e paro. Vejo as pessoas passarem por mim e noto que a fisionomia do ser humano está cada vez mais ridícula. Andam todos à procura da sua identidade, mas muito para além da adolescência continuam a procurá-la. As pessoas estão cada vez menos bonitas, ora pelas suas preocupações com a aparência, ora pela personalidade cínica que constroem para ter essa mesma aparência. Cada vez mais deixam de querer pensar e sentir. Vulgarizam a palavra mais respeitosa no campo amoroso: o Amo-te. Impressionante ou não, não me relaciono com essas pessoas.
Porquê? Porque, no Natal de 1993, soube ouvir meu avô dizer-me: “Sílvia, vive com os teus próprios valores.”
Foto: Nuno Ramos
29 de Out de 2008
24 de Out de 2008
Ela dormia num quarto com cortinas azuis claras e edredom magenta por cima de manta polar. Vestia pijama amarelo e tinha olhos azuis pela manhã. Calçava o 36 e punha uma pulseira de galengue. Numa noite sonhou ter uma casa de portadas brancas com cheiro a gerbérias durante toda a estação em que lá morava. Acordava com sumo de laranja, tostas e mel. Fazia sessões com amigos e lia poemas ao entardecer. Acordou. Calçou botas, vestiu casaco, colocou sorriso. Chovia nesse dia,... [inacabado]
17 de Jul de 2008
Lisboa, manhã de Julho
Os últimos dias são sempre os piores, dizem. Verdade, não estou em mim, só me vejo a atravessar os céus. Tenho saudades daquele pedaço de terra de fumos e hortênsias. Já só oiço o mar a bater na rocha, o vento de Norte a levantar-me, e aquele silêncio, ai aquele silêncio duma manhã de Verão, como lhe sinto a falta.
(a ouvir "Ilhas de Bruma")